Banco prevê financiar US$ 5,4 bi em infraestrutura no Brasil em 3 anos

Banco prevê financiar US$ 5,4 bi em infraestrutura no Brasil em 3 anos

O Santander prevê financiar US$ 11 bilhões em investimentos em infraestrutura na América Latina nos próximos três anos, disse ontem a presidente mundial do banco, Ana Botín. O Brasil responderá por 49% desse montante, ou US$ 5,4 bilhões. Hoje, o Santander já é líder em financiamento de aeroportos no país.

Segundo Ana, a América Latina poderia crescer mais dois pontos percentuais ao ano, se os gargalos de infraestrutura fossem superados. O investimento em infraestrutura é apontado pelo governo de Michel Temer (PMDB) como um caminho para superar a crise no Brasil.

Ana disse que a região tem de continuar a fazer as reformas econômicas para atrair o capital estrangeiro e criar um ambiente propício aos negócios. Neste cenário, o Santander estaria disposto a atuar como um importante ator no desenvolvimento dos países, especialmente no Brasil.

— O Brasil tem que continuar a fazer as reformas necessárias. Tem a Previdência, o tema fiscal, (a reforma) trabalhista. O país vai num bom caminho - disse Ana a jornalistas no XV Santander América Latina, evento que o banco realiza na Espanha e cujo tema este ano é financiamento de infraestrutura. - Vemos o Brasil não apenas como um exportador de commodities para a China. O país tem setores industriais muito fortes.

Apesar da disposição em financiar projetos de infraestrutura na região, Ana reconheceu que "é difícil ocupar o espaço dos bancos públicos" no crédito a esse tipo de projeto. Hoje, o BNDES é o principal financiador de projetos de longo prazo no Brasil.

BRASIL DE VOLTA À LIDERANÇA

Ana disse que o Brasil pode voltar a ser a maior fonte de lucro do Santander, possivelmente em 2017, devido à recente valorização do real e à depreciação da libra, com a vitória no plebiscito para a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit.

No primeiro trimestre, o Reino Unido respondeu por 23% do lucro líquido do Santander, o que o coloca na primeira posição do ranking em participação no resultado. O Brasil ficou em segundo, com 18% do lucro. Em seguida, veio a Espanha, com 15%.

— Espero que seja número 1 muito rápido - disse Ana, sobre a possibilidade de o Brasil passar o Reino Unido. - Mas tudo depende da taxa de câmbio. Esse negócio (o bancário) é em moeda local, e a taxa de câmbio afeta. Agora, a moeda fraca não é o real, é a libra. O real é a moeda forte.

A libra caiu quase 11% este ano em relação ao dólar, e o real subiu quase 20% em relação à moeda americana. A banqueira disse ainda que os efeitos do Brexit serão percebidos em todo o mundo e não apenas na Europa.

A banqueira disse ainda que os efeitos do Brexit serão percebidos em todo o mundo e não apenas na Europa e lamentou a onda de nacionalismo que toma conta do planeta:

— O Brexit vai afetar os países que têm mais laços comerciais com o Reino Unido, mas os efeitos serão percebidos em todo o mundo. O Brexit traz incerteza (para a economia mundial). Com menos confiança, haverá menos investimento.

Para ela, a vitória pela saída do Reino Unido da União Europeia reflete, em parte, a dificuldade de adpatação dos mais velhos e daqueles sem qualificação à realidade do mercado de trabalho, que passa por transformações tecnológicas:

— Entre os que tinham abaixo de 45 anos, a maioria queria ficar na União Europeia. Entra os que tinham mais de 45 anos, a maioria queria sair. Mas construir mulharas que não são apenas físicas, mas também de comércio, não vai ajudá-los.

Fonte: O Globo, Economia, em 06/07/2016